Sempre adorei fazer planos. Sinto um prazer inexplicável em sentar e pensar em conjunturas, números, datas, horas. Quando eu estava estudando pro Vestibular, meus amigos sempre me diziam que eu passava mais tempo organizando meus horários de estudo do que de fato estudando. E apesar de sempre defender com unhas e dentes o “fazer planos”, hoje comecei a pensar que eles de fato podem trazer algo de ruim.
Essa semana saiu a minha nomeação do Ministério da Integração, de um concurso que passei quando ainda não tinha UnB, Itamaraty, não tinha Israel, nada. Provavelmente, apenas meu eterno sonho de comprar um laptop e de viajar o mundo, de aprender quantas línguas eu pudesse. Inesperadamente saiu a nomeação, a posse, tudo em menos de uma semana, e agora não sou mais apenas estudante no campo profissão de qualquer formulário e até tenho um limite de cartão de crédito decente.
De repente, todos os meus sonhos estavam em minhas mãos, todos a um passo de uma simples decisão que ninguém além de mim poderia tomar. Mas ao mesmo tempo, todos os meus sonhos estavam sendo postos à prova, o que eu realmente queria, como iria administrar tudo aquilo.
Minha resposta a todos que criticavam o meu enorme gosto por fazer planos era que pior do que fazer muitos planos era não ter planos, pelo menos assim podemos mudá-los quando algo surgir no caminho. E todos aqueles que criticavam calavam-se, concordavam, e viam em meus olhos brilhantes e sonhadores todos os planos do mundo.
Sinceramente acredito que os planos nos ajudam a manter o foco, o objetivo. Nunca falta perspectiva. Não há noites sem sono, não há aulas chatas nem professores ruins porque tudo será recompensado por uma conquista maior e posterior. Afinal, tudo está milimetricamente acertado. E se o plano A não der certo, há sempre um plano B, C, D, tantos quantos forem necessários para sermos felizes e mantermos a paz de espírito na longa jornada. E foi justamente quando no meio disso que uma bomba explodiu sobre todos os meus planos. Mas ao contrário de destruí-los ou dispersá-los, ela trouxe todos até mim.
Quando falo em fazer muitos planos, não são várias opções entre as quais, um dia, poderei escolher. Não.. minto! São sim, opções entre as quais, um dia, poderei escolher. Mas há uma precedência. Se um não der certo, há outro, e outro, outro... E o difícil de ter vários planos “As” é que fica muito mais difícil escolher, não é como ter na mão apenas um Às que resolve a jogada.
Além disso, outro problema maior que detectei foi o fato de que nós nos apegamos aos nossos planos. Por isso digo que não é tão fácil assim desistir de Israel e ficar aqui, e trabalhar e me formar, porque me apeguei a esse sonho, a esse plano. Ao mesmo tempo, não posso simplesmente descartar um emprego que pode me levar a outros lugares que quero, a outros sonhos.
A vida inteira eu quis estudar francês, mas nunca tivemos dinheiro pra isso. O colégio era caro, a faculdade é cara. Eis que surge a oportunidade. Mas também quero estudar espanhol. E é a hora mais do que perfeita pra isso. Falta, no entanto, tempo. E por mais que eu queira viajar também, agora só daqui a 1 ano, quando eu tiver direito a minhas primeiras férias. Viajar, digo, ir pra longe. China. Finalmente eu poderia ir às Olimpíadas. Mas isso estava nos planos pós-Israel, que, na verdade, já tinha virado Strasbourgo por conta da falta de verba. E quando eu poderia passar 6 meses em São José, estagiando na Corte Interamericana de Direitos Humanos? Quando poderia ver o outono em Nova York? Ou finalmente cumprir minha promessa de visitar o Felipe em Buenos Aires? O outono começa daqui a pouco e daqui a pouco, ano que vem, poderei tirar férias, mas estarei em aula.
Por outro lado, toda essa agonia decorre da minha pressa em me formar e passar logo no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática. Acho que vou ter de refazer esses planos, não vai ter jeito. Ou então vou ter minhas sonhadas viagens uma ou duas vezes ao ano (se eu dividir minhas férias), farei o CACD de 2010, mas em contrapartida não vou ter vivido pelos outros 11 meses. Pelos 3 anos.
Tenho que pensar que se eu optar pelo emprego, pela estabilidade, tenho de aproveitar tudo de bom que isso pode me trazer: não ter pressa em me formar, fazer todas as viagens que eu quiser, estudar todas as línguas que eu quiser, pedir 1 ano de licença não remunerada para passar 6 meses em Israel e outro na Costa Rica e ainda fazer o curso de verão de Strasbourgo. E ir à China, a Cingapura, à Austrália, aos Estados Unidos, à Argentina, à República Tcheca, visitar um amigo ou mais em cada um desses lugares. Quem sabe passar um tempo na África, fazendo trabalho voluntário. Porque todo o dinheiro que vou ganhar, e olha que nem vai ser muito, além de comprar meu laptop, que vai ser minha primeira aquisição, tem de comprar meus novos planos decorrentes do emprego. Certo?
Mas se o trabalho no MI for uma chatice? Não vai ser como no Itamaraty, que quando estou sem nada pra fazer fico trabalhando, porque gosto, porque não teria nada melhor pra fazer. Aí eu vou embora, vou logo pra Israel, tentarei me formar o mais rapidamente possível. Porque me descobri um pouco workaholic e não posso ficar muito tempo à toa. Em contrapartida, se o melhor acontecer e o cosmos conspirar a meu favor nas próximas semanas, ficarei. E com prazer. E aproveitarei, como disse anteriormente, o que a estabilidade e o dinheiro poderão me trazer. Ótimo. Já tenho novos planos, A1 e A2. Agora vou parar de divagar e sistematizá-los, como nos bons e velhos tempos.
Sábado, Agosto 25, 2007
Quinta-feira, Agosto 16, 2007
Jakarta-ta
taPrimeiro semestre? Ah, sim! Tivemos a SiNUS e minha primeira experiência como mesa. Interessante. E tive minha primeira publicação também, um artigo sobre o tratamento da questão violência contra a mulher no âmbito das Nações Unidas. Teve a matéria do Cançado Trindade, Proteção Internacional dos Direitos Humanos, que eu sonhava em fazer mesmo antes de entrar na UnB. E valeu toda a expectativa. Consegui, finalmente, escrever sobre o Caso Damião Ximenes vs. Brasil, que me interessava já desde o ano passado, e realmente consegui entender um pouco mais do Sistema Interamericano com a análise do caso. Hmm... A DDH continuou firme e forte, mas agora com mais funcionários. Desafogou um pouco pro meu lado, foi bom porque consegui levar bem as matérias na UnB e no CEUB, mas acho que fiquei mais "away" do que estava acontecendo. Ademais, o Alan foi embora (Colômbia). O Amilton foi embora (China). O Fábio foi embora (Cingapura). Foi quase todo mundo embora.
Julho. Férias? O que são férias? Continuei trabalhando. Agora o Christiano também foi embora (Estados Unidos). Muitas pessoas foram embora. O Vinícius também foi embora, mas só do estágio. Continua meu vizinho, pelo menos. A Luciana foi embora também (Suécia). Teve um summer lover, ou winter lover, mas que também voltou pro verão. E do AMUN, todos também já foram embora. O que ficou? Ficou a musiquinha da Indonésia, cujos autores também foram embora. Mas ficou a letra. Esse blah blah blah todo foi porque eu queria publicar a letra. E falar que em agosto as pessoas continuam indo embora.
Ano que vem chega a minha vez.
#1 nas paradas do XAMUN:
Nobody rhymes with Indonesia
but Tunisia does
Jakarta-ta
Nobody rhymes with Indonesia
but Tunisia does
Jakarta-ta
Our national symbol's scary,
we were ruled by the military
We are mostly Islamic,
and malaria is endemic
Our leaders are charismatic,
our reforms are democratic
And despite what you please,
we love the timorese, so
Nobody rhymes with Indonesia
but Tunisia does
Jakarta-ta...
Julho. Férias? O que são férias? Continuei trabalhando. Agora o Christiano também foi embora (Estados Unidos). Muitas pessoas foram embora. O Vinícius também foi embora, mas só do estágio. Continua meu vizinho, pelo menos. A Luciana foi embora também (Suécia). Teve um summer lover, ou winter lover, mas que também voltou pro verão. E do AMUN, todos também já foram embora. O que ficou? Ficou a musiquinha da Indonésia, cujos autores também foram embora. Mas ficou a letra. Esse blah blah blah todo foi porque eu queria publicar a letra. E falar que em agosto as pessoas continuam indo embora.
Ano que vem chega a minha vez.
#1 nas paradas do XAMUN:
Nobody rhymes with Indonesia
but Tunisia does
Jakarta-ta
Nobody rhymes with Indonesia
but Tunisia does
Jakarta-ta
Our national symbol's scary,
we were ruled by the military
We are mostly Islamic,
and malaria is endemic
Our leaders are charismatic,
our reforms are democratic
And despite what you please,
we love the timorese, so
Nobody rhymes with Indonesia
but Tunisia does
Jakarta-ta...
Domingo, Agosto 12, 2007
Textos
No início do ano passado eu resolvi imprimir tudo o que um dia postei. Textos, poemas, letras de música, fotos, imagens, tudo o que naquele momento representasse, de alguma forma, o que eu estava sentindo. Quando não estava inspirada, mas aflita de alguma forma, fazia uso da criatividade dos outros. Imortais poemas, punha vários em um mesmo dia, de vários estilos e épocas e por vezes até contraditórios. Tudo na busca de encontrar nas palavras dos outros o que os meus dedos não conseguiam interpretar dos meus sentimentos.
Percebi, então, que quanto mais escrevia, mais conturbado estava tudo por dentro. Os últimos seis meses refletiram ou a minha falta de tempo ou a minha paz, pois pouco escrevi. Hoje, quando tempo tenho, perdi um pouco da paz. Não entendo.
Essas últimas duas semanas foram recheadas de motivos pra textos, desabafos os quais não consigo mais expressar por meio de palavras. E isso me dá tanta aflição quanto não conseguir fazer parar de chorar uma recém-nascida. É a pressão do tempo, da hora. A vontade de ligar, mas para outro número. E a decisão de não mais dar o braço a torcer. O medo de decepcionar. Então venho e escrevo. Mas não o que eu queria escrever. Escrevo qualquer coisa, apenas para aliviar um pouco a ansiedade. Ninguém lê mais isso aqui mesmo. Que diferença haveria de fazer?
Percebi, então, que quanto mais escrevia, mais conturbado estava tudo por dentro. Os últimos seis meses refletiram ou a minha falta de tempo ou a minha paz, pois pouco escrevi. Hoje, quando tempo tenho, perdi um pouco da paz. Não entendo.
Essas últimas duas semanas foram recheadas de motivos pra textos, desabafos os quais não consigo mais expressar por meio de palavras. E isso me dá tanta aflição quanto não conseguir fazer parar de chorar uma recém-nascida. É a pressão do tempo, da hora. A vontade de ligar, mas para outro número. E a decisão de não mais dar o braço a torcer. O medo de decepcionar. Então venho e escrevo. Mas não o que eu queria escrever. Escrevo qualquer coisa, apenas para aliviar um pouco a ansiedade. Ninguém lê mais isso aqui mesmo. Que diferença haveria de fazer?
Sexta-feira, Maio 18, 2007
Sexta à Noite
Um artigo por terminar pra ontem, ou melhor, pro dia 7 passado... o CSOI pela manhã no sábado, uma prova de Direito Penal à tarde. Na sexta à noite, um narguilê solitário e algum vizinho irritantemente ensaiando um jazz num sax. Tudo isso aliado à minha falta de paciência pra estudar ou fazer qualquer coisa que vá melhorar minha vida acadêmica. É demais. Não agüento mais.
Sexta-feira, Março 09, 2007
Procura-se namorado.
Procura-se namorado que goste de teatro, mas prefira cinema. De preferência um namorado que goste de jazz, samba, mpb e música clássica. Pode não gostar das minhas músicas de menina ou de música celta, mas prometo ser tolerante aos seus discos de punk-rock ou de sertanejo se você também for aos meus CDs do Damien Rice e do Frank Sinatra.Procura-se namorado que seja caseiro e que goste de cozinhar, porque eu só sei fazer comida pronta, brigadeiro, e arroz sem gosto. Mas eu sei lavar, passar, varrer, passar pano e juro que o meu brigadeiro é muito gostoso.
Procura-se namorado que seja seletivo quanto aos lugares que freqüenta, mas não tenha preconceito com o Pôr-do-Sol nem com a Distribuidora Piauí. Que aprecie mais a boa companhia dos amigos ao requinte do lugar. E que goste de festas e shows, mas não queira necessariamente que eu vá com ele a lugares onde não é possível andar direito ou prender o cabelo sem ter de recolher os braços junto à cabeça.
Procura-se namorado que goste de crianças e que, no futuro, queira ter dois filhos, um menino e uma menina. E tem de me deixar escolher os nomes, claro. Eu fico com as fraldas, mas tem de me ajudar com os choros das madugadas e com a mamadeira. Jogaremos bola todos juntos, brincaremos de boneca e rolaremos na grama ou na lama para alegrá-los.
Procura-se namorado que seja inteligente, sem muitos pêlos, que goste de viajar, de arte e de cultura geral. Tem de ser engraçado e tolerante a reuniões anuais de família. Tem de ser sociável, disposto e não dar muitos ouvidos a todas as coisas que os parentes falam: provavelmente vão querer saber quem é sua família, o que eles fazem, seu nível de escolaridade, de onde você veio e onde você trabalha. Também vão dar palpite pra tudo e comentarão de você quando você sair.
Procura-se namorado que goste de praia. Seria bom que gostasse de carangueijo também e aviso logo que adoro as patolas e exijo as cabeças. Lembro, ainda, que na praia existe a possibilidade de ficar à toa na piscina ou lendo na rede. Jogar sinuca também é uma opção. Confesso que prefiro essas três últimas categorias a ir à praia.
Procura-se namorado que seja independente, mas que demonstre que se importa de alguma forma. Um namorado que ache minhas amigas gatas, mas que não queira ficar com elas. Nem que fique me regulando e prometo não fazer o mesmo de volta. Se quiser trair, seja feliz... mas bem longe dos meus olhos e dos meus ouvidos. Não proíbo nada, apenas aviso que minha intuição é certeira. Sempre. Afinal, quem gosta observa. Os detalhes são essenciais e entregam qualquer um.
Procura-se namorado que não se importe de dormir com a TV ligada, que goste de desenhos e aceite meus documentários sobre bichos da national geographic. Pode gostar de futebol e de carros também, contanto que não pense apenas nisto. É obrigatório saber conversar sobre qualquer coisa, das mais sérias às mais idiotas. E que saiba apreciar os pequenos detalhes e a simplicidade da vida e do cotidiano. Criatividade é metade da magia do relacionamento.
Procura-se namorado que valorize a própria família. Não peço religião, mas exijo tolerância. Que tenha também beleza, muita beleza... No mínimo 1,78m de altura e um sorriso sincero, o mais bonito.
Procura-se namorado. Mas não precisa ser um namorado. Essas formalidades não servem pra nada.
No fim das contas, procura-se um amigo. Que me abrace, me beije, me respeite e me aconchegue e que, quando em seus braços, eu não queira mais nada dessa vida.
Sábado, Fevereiro 17, 2007
Almost Complete
- Fight Club -
Imagem: Linha TROMSÖ www.ikea.com
Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007
Planos para Ontem
Já estou há mais de dois meses em falta com os meus escritos. Penso em escrever sempre. Até escrevo. Concluir os textos, no entanto, não parece uma tarefa muito fácil. Tem servido para perceber, realmente, que escrever é uma válvula de escape.
O ano começou bem. Como nos últimos quase dez, pulando ondinhas na beira da praia semi-deserta. Os fogos dessa vez não foram tantos nem tão próximos quanto anteriormente, e no meio de tanta família, faltou a minha. Ok. Depois eu explico esse pedaço, em outro post, outro dia. Fato é que o ano começou bem, tranqüilo, em belas praias, com grandes festas e muitos planos. O trabalho vai bem, obrigada. E a faculdade também. Pelo menos a que começou. E, pessoalmente, ando um tanto caseira.
Não é segredo pra ninguém que nunca fui muito fã de shows, super-festas, boates ou qualquer lugar lotado de gente desconhecida. Tudo é uma questão de companhia e nesse sentido posso ser bem anti-social. Com o carnaval chegando, começa a bater uma certa aflição em relação a o que fazer. Uma opção boa sempre é encontrar a família, mas as passagens estão muito caras para qualquer lugar. Tenho mais duas opções: ficar aqui ou viajar para algum lugar próximo. Viajar sozinha não rola.
Passei o dia nesse vácuo entendiante do ócio. Para quem tem tantos planos para o semestre que vem, para o ano que vem, essa indefinição tão próxima do amanhã tem me deixado um pouco agoniada. Das duas uma: ou paro de planejar ou vivo meus dias na inércia. Planejar com antecedência ainda permite mudanças repentinas de planos. Mas o que fazer se não temos planos nenhum? Fica a pergunta. Meu carnaval quer saber. =)
O ano começou bem. Como nos últimos quase dez, pulando ondinhas na beira da praia semi-deserta. Os fogos dessa vez não foram tantos nem tão próximos quanto anteriormente, e no meio de tanta família, faltou a minha. Ok. Depois eu explico esse pedaço, em outro post, outro dia. Fato é que o ano começou bem, tranqüilo, em belas praias, com grandes festas e muitos planos. O trabalho vai bem, obrigada. E a faculdade também. Pelo menos a que começou. E, pessoalmente, ando um tanto caseira.
Não é segredo pra ninguém que nunca fui muito fã de shows, super-festas, boates ou qualquer lugar lotado de gente desconhecida. Tudo é uma questão de companhia e nesse sentido posso ser bem anti-social. Com o carnaval chegando, começa a bater uma certa aflição em relação a o que fazer. Uma opção boa sempre é encontrar a família, mas as passagens estão muito caras para qualquer lugar. Tenho mais duas opções: ficar aqui ou viajar para algum lugar próximo. Viajar sozinha não rola.
Passei o dia nesse vácuo entendiante do ócio. Para quem tem tantos planos para o semestre que vem, para o ano que vem, essa indefinição tão próxima do amanhã tem me deixado um pouco agoniada. Das duas uma: ou paro de planejar ou vivo meus dias na inércia. Planejar com antecedência ainda permite mudanças repentinas de planos. Mas o que fazer se não temos planos nenhum? Fica a pergunta. Meu carnaval quer saber. =)
Assinar:
Postagens (Atom)
